quinta-feira, 10 de julho de 2008

Hunter

Enquanto rastejava pelo caminho dos rios, as pernas fraquejavam. Achava estranho como todos aqueles buracos negros dentro de si sugavam tudo, tornando a atmosfera do seu corpo infinitamente pesada.

Já havia se curvado tanto para evitar a dor da queda, que esquecera como se manter ereta, de pé. Tentava se movimentar mais rapidamente, desajeitada, com a mão no peito.

O crepúsculo abraçava a copa das árvores adiante. Ruídos ecoavam, estremeciam, farfalhavam. Pressionava a mão nos seios.

Há poucos metros do abrigo, sentia pés fortes, insistentes e temerosos correndo em sua direção. O chão trepidava, mas já não havia local para o desespero. A fissura em sua pele abria, coçava, queimava. As unhas encravavam forte na carne. Sentia seu corpo se abrindo.

Finalmente as pernas pararam e seus membros ruiram. Escutava passos se aproximando como galopadas. Um chiado agudo aumentava em uma velocidade imensurável.

De repente sua visão ficou turva, mas ainda assim, pode observar com bastante atenção que o resto que sobrara do seu corpo estava sendo carregado. Viu-se erguida e levada para dentro da floresta.

4 comentários:

Rafa disse...

Eis aqui a mais pura covardia que a caça sofre. Eis aqui a mais pura dor. E nem é preciso haver necessidade em ser caça. Só por esporte já é suficiente. Comida é lucro.


Texto foda, amor!

lu disse...

Trágico, porém lindo :)

Foxy disse...

tee, mudei o endereço do meu blog viu?
mas é só entrar na minha página que vai estar o link novo lá.

=*

Jess disse...

Belas palavras, você escreve bem.