sexta-feira, 20 de junho de 2008

Echoes

Estava lembrando de como move suas pernas. Uma batida regular. Olhava em seu olho. Era estranho como aquilo não incomodava. Esperava uma resposta, uma palavra. Sem hesitar. Era difícil analisar.

Ficava intrigada com tanta gentileza, e com todas as outras coisas que não conseguia ver. Tomava meu café para ganhar tempo. Pensar nas coisas imperceptíveis ao meu redor. Pensar no que falar.

Tentei novamente olhar mais fundo. Tudo se tornara cíclico. Não havia resposta. Não havia nem sequer o que perguntar. Algo me dizia que não era uma simples sala escura. Ainda havia muito no que se esbarrar. Então eu esperei.

Aquele jogo todo me era atraente. Quebrava o gelo da resistência. Eu gostava. Era o tipo de perigo que fazia questão de correr. Estava moldando minha própria armadilha.

Pensei em meu café esfriando. Incrível como três segundos de silêncio pode ocasionar uma era glacial.

Agora eu que mexia as pernas. Pensei no começo de tudo. Como foi tão simples conseguir o que jamais imaginaria tocar.

Enquanto isso, algo se formava no horizonte. Algo que logo iria me engolir, me puxar para baixo. Iria me acolher como um ventre e depois me incitar a subir.

Já tinha me encharcado até os ossos. E enquanto afundava sem vacilar, procurava me concentrar. Procurava observar atentamente o caminho de volta. Eu me distanciava da luz, milha por milha. E sem perceber exatamente, sentia a solidez. Sentia a fria solidão da sala escura.

6 comentários:

laurew disse...

por motivo nenhum adorei esse trecho "tinha me encharcado até os ossos" =)
ainda acho de certa forma pausado demais no começo >_<

Andressa disse...

"Pensei em meu café esfriando. Incrível como três segundos de silêncio pode ocasionar uma era glacial."


In-crí-vel.

:s

lu disse...

O silêncio é interessante..ora agradável, ora estorvo.

Bibian disse...

Cara, acho que a cafeína sempre fez a diferença em momentos decisivos. Em seus textos, é fundamental ;)

Denii Rezende disse...

Fico admirada com seu talento pra escrita!

Mariana disse...

'Era o tipo de perigo que fazia questão de correr. Estava moldando minha própria armadilha.'

COM CERTEZA!