quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Corpus in Crisis

Toc, toc, toc. Os dedos batendo na mesa em constante agonia. Pensar em você, um copo de café, o cigarro. Meu coração dimensiona, reparte, encolhe. Mão na testa, aquele suor frio.... a vontade.

Essa estrada... que tanta falta de luz me faz. As milhas escuras. Cada passo além, menos de você. Sinto suas pegadas, seu cheiro e então sigo esse vento silencioso. No meio do jardim, entre as paredes escuras e severas, a porta. Tão familiar. Tão familiar que...

Acordo. A porta vai bater e você entrar. A espera é como ler todas essas linhas diversas vezes. É como ler grego. Pegar toda essa dor e fazer esperança. Pegar você e fazer parte de mim. A parte que desacreditei. Que amputei e disse "acabou".

Durmo e carrego esse estandarte. Um pedaço de carne pulsante, trêmulo e cansado. Talhando a crise com mãos fechadas, sem querer ver o que há de vir. Empurro as paredes, as portas, forço a passagem, enquanto me puxo e grito "não vá".

No escuro, agarro sua mão e engulo as palavras de amor. Puxo, abraço esse corpo estranho. E repenso o que dizer. Não digo nada. Abro a boca e suspiro profundamente. Crio coragem para emitir um som, mas hesito. E então sua voz, tão ausente, berra em minha mente: "te amo também.". O alívio me invade como uma onda e finalmente posso acordar.

3 comentários:

lu disse...

A maior tristeza é a existência da banalização de uma frase tão profunda...alguns gaguejam para pronunciá-la, outros cospem diariamente ¬¬

Lucas disse...

Conheço a situação o suficiente pra entender o que essa pessoa sente na hora de dizer eu te amo, mas é bom que a pessoa saiba adimitir que apenas não consegue dizer! E a voz na cabeça entender que ela o ama, isso é confortante, ou não!(Em pontos de vistas diferentes)

Carlos Isaac disse...

Intenso e tocante... com um pouco de suspense.
Fantástico como sempre.

Ainda estou esperando o livro.