domingo, 3 de fevereiro de 2008

A chave

Ele passava noites dentro de mim, mas eu já não conseguia pensar. Tentava conciliar aquele amor louco com o amor que devora, que necessita, que odeia caixa postal. Nada. Nenhuma linha, nem de longe.
Ele dormia e eu contava todos os fios de cabelo pela cama. Número ímpar. Ele era meu. Contava três, cinco, treze. Sempre parava quando tinha medo de dar par.
Larguei os cabelos pelo chão. Andava pelo quarto e pensava o quanto aquilo tudo estava errado. Pensava sobre o fim de tudo. O fim que eu não queria ter.
Ele era todo silêncio e aquilo me assustava. Eu precisava de barulho, eu precisava saber, ler por trás daqueles olhos. Eu precisava ser aquela pele, aqueles ossos, aquela carne. Eu precisava ser aquele coração.

3 comentários:

Renata disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Laurëw disse...

sempre q leio fico imaginando as cenas como poderiam ser X)
no final "ele era todo silencio..." imagino alguem dormindo e outro alguem na beirada da cama a observar, a cutucar o outro, faze-lo acordar "acidentalemnte" =)

lu disse...

Às vezes cogitar um final que não é agradável é necessário, ajuda a refletir perante a tal situação indesejável..é indispensável ser realista, quem não é, acaba se lascando