sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Desconstruindo Tila


Comecei a perceber recentemente que estou me entregando a um processo de desconstrução. Não tenho certeza se já atravessei essa ponte antes, é bem provável que sim. É difícil de lembrar depois que essas coisas acontecem.


No começo eu apenas achei que eram idéias encostadas na parede de mim mesma, deixadas de lado como se não tivessem importância. Não pelo menos naquele momento. Mas tinham, sempre têm, e eu sabia que elas voltariam a correr por dentro do meu mundo quando tudo começasse a desabar.


É incrivel como em um processo mecânico de implosão, existem detalhes calculados na estrutura para que se crie pontos fracos com o intuito de colapsar. E foi exatamente assim. Todos os pensamentos que estavam escondidos nas fendas daquela velha casa começaram a correr e se dispersar na poeira. Não decidiram pular pela janela, o que seria mais fácil, pois eles sabiam que ainda precisavam estar lá. Que ainda precisavam ser dentro de mim. Simplificando, tudo de ruim estava vindo à tona exatamente no momento em que as coisas boas começaram a ruir.


Primeiramente eu pensei que essa destruição duraria quinze minutos. Logo depois eu me convenci que um dia ou dois seriam aceitáveis. Agora vejo que há meses os pedaços estão se soltando e eu apenas observo de cima do muro o que ainda resta. E eu, definitivamente, não sei o que fazer.


Espero que essas pedras me atinjam logo, certeiramente, porque é através da dor que se aprende. É através da dor que se raciocina. Nunca passei por um processo de reciclagem tão lento, tão desavisado. Um processo que não consigo fazer entender. Não consigo aprender nada. Absolutamente nada.


E isso que restará quando finalmente tudo se acabar e eu ver meu mundo despedaçado dentro de mim.

7 comentários:

lucianosousa disse...

isso é só o começo...
daqui a pouco algumas responsabilidades a tomam e terá de optar por coisas, e por aí vai... bem vindo ao mundo real!

só tente aproveitar o que der... :)

• Bibian • disse...

Engraçado que em alguns meses eu tb escrevi algo parecido no meu blog. E hoje estou passando por um momento parecido, mas não de mudanças mas sim de novas percepções =] é sempre bom perceber nosso eu!

Louise disse...

Essa desconstrução é típica da fase de vida que você se encontra: a maldita juventude. Não, eu não gosto de ser jovem porque é tudo muito entrópico. Mas um dia tudo ficará estabelecido e mais constante. Só não pode ter pressa.

Zeppelin disse...

A dor pode ser só uma sensação que você nunca teve, como uma estranha coceira. Todos os átomos têm que se alinhar e vibrar na mesma frequência... e é nesse rearranjar, caótico, ou (como disse a senhora acima) entrópico. Dizem que o café quente tem a entropia maior que o frio. Eu prefiro o café quente.

Larissa disse...

você me desconstruiu assim, fácil. mas no meu caso, cheguei ao ponto de não saber mais dicernir os meus sentimentos e pensamentos. como disse em algum lugar: acho que ainda preciso amadurecê-los.
saia de cima do muro e junte os pedaços. deves ir atrás das pedras para que te acertem. e não esperar a vontade delas. você manda em você. é difícil, mas disposição ajuda neste momento trágico.
estou sendo conselheira de mim também.

Coisas que o povo fala disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marianna disse...

Sim gata, vc já passou por isso... E todos nós passamos, é assim que a gente cresce e amadurece e, posso inventar essa palavra, "adultece". Espero que essa fase passe logo e só pra relembrar um dito popular que diz: "Desgraça nunca vem sozinha!"
bjuxx