sábado, 23 de junho de 2007


No começo dos tempos, além do que se pode lembrar, o homem era diferente. Dois seres em apenas um: quatro braços, quatro pernas e duas cabeças, cada uma mirando uma direção. Dois corpos, dois sexos, imagem e semelhança unidos pelo dorso.

Acredita-se que, num dia de chuva qualquer, por puro capricho e inveja, o filho de Cronos enviou dos céus um relâmpago sinistro, e um raio partiu a criatura em duas, afastando as metades para sempre.

Ao longo dos séculos o homem buscou impiedosamente encontrar a sua metade separada no inicio da criação, vagando sem rumo, procurando em faces vazias e vivendo em vão. A sua força, sua capacidade de evitar a traição e resistência para suportar longos caminhos foi sanada, tornando-o um ser pouco. Um ser inacabado.

O homem tornou-se incompleto, é fato, e talvez jamais seja total novamente. Desorientados, cansados e traídos no meio deste mundo enorme. Cegos de um olho, apagados de um lado. Tornamo-nos imperfeitos em matéria. Tornamo-nos agora dois braços, duas pernas, uma cabeça e meio coração.

3 comentários:

ana c. disse...

yeah, half-hearted - just like you and me - so we can understand each other better when our halfs meet in one.


FOR
EVER.

much love,

s.

Eron disse...

Muito bom o texto, Tee. ;)
Você escreve muito bem.
Beijão.

Lu disse...

A solidão acaba sendo assustadora O.o