segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Deixe o mundo ser que eu vou estar


Eu tive um insight importante hoje. Pensamentos rolaram na minha mente mais ou menos como uma interrogação. Interrogações levam à soluções. Eu percebi sutilmente que a vida está querendo me ensinar algumas coisas nesses últimos meses. Percebi também que provavelmente eu não estava – e ainda não estou – vendo com muita clareza.

Alguns meses de terapia me ajudaram a ver muitas coisas com uma certa simplicidade. Primeiro pega-se toda a coragem em dizer coisas estranhas e parcialmente íntimas, que antes eram obscuras interrogações, e as transforma em simples pontos finais. Em algumas situações até seriam frases exclamativas. Não tenho plena certeza desse insight, mas acho que ele veio na hora certa. Estou concluindo coisas absolutamente importantes sobre a vida e sobre a repercussão de algumas ações.

Por exemplo, a dualidade entre querer falar e querer não falar. Entre as pessoas serem estúpidas e não serem estúpidas. Não consigo escolher um lado de forma concisa. Existe uma porta dentro da minha mente levemente entreaberta, deixando as coisas fluírem e, sobretudo, a luz passar. É nessas horas que eu tenho certeza que tem uma exclamação a caminho.

Nos últimos meses pude perceber, sem muita modéstia, que as verdades andam pendendo para o lado das “pessoas estúpidas”. As pessoas acham engraçado, assustador e até violento quando eu digo que a humanidade virou um câncer que precisa ser raspado até a sua total eliminação. Estou concluindo que (in)felizmente eu estou certa. Jim Morrison foi mais sutil e apaixonado nas suas palavras dizendo que as pessoas são estranhas. Eu não acho que elas sejam estranhas de verdade, a não ser que estranheza tenha virado uma doença de uns anos pra cá. Na minha visão, as pessoas são seres extremamente arrogantes e certos de si. As pessoas são burras.

Enquanto vejo por aí algumas almas boas se salvando de qualquer raio que venha nos partir, a grande maioria está sedenta pelo seu, pela sua idéia, pela sua própria opinião. Quando Shakespeare disse, através de Hamlet, “que obra-prima, o homem”, ele deveria ter vivido mais alguns séculos para perceber que ele nem é tão infinito assim em suas faculdades ou sequer é semelhante aos anjos pelos seus atos. O homem não é, na verdade, semelhante a nada fora o seu próprio reflexo. Um espelho de diversas imagens incontidas em cada olhar. E devo dizer que meus olhos estão cansados.

Seguindo essa linha de raciocínio, me lembra a primeira questão em si: querer falar e querer não falar. Acho que, sendo honesta nessa síntese, as verdades irão pender para querer não falar. Não falar o que eu penso, o que eu sinto, o que eu acho. Não agir com a arrogância que esse nobre ser, o homem, decidiu adquirir como uma fonte inesgotável de sua natureza. A natureza humana, que como diz Lars Trier, é intrinsecamente ruim. E não há nenhuma solução diferente de cortar todo o mal pela raiz.

A verdade nua e crua disso tudo é que eu não quero que as pessoas simplesmente se calem dentro do meu mundo. Muito pelo contrário. É de grande importância que elas continuem falando e expondo toda a sua gama de idéias absurdas. Citando Voltaire, eu posso não concordar com o que você diz, mas defendo seu direito de dizer. O seu direito de dizer alimenta a minha tese, digere minhas dúvidas e gera minhas exclamações. A humanidade, em que sumariamente estou contida, virou uma grande privada de descarga quebrada. Não tem mais jeito.

Meu pai me disse certa vez que eu preciso parar de tentar enfiar minhas concepções na cabeça das pessoas. Pois bem, ele estava certo. Ele disse ainda que eu preciso aprender a aceitar o mundo porque faço parte dele. Aí está ele certo mais uma vez. Eu aceito essa nova idéia e a adapto para a minha realidade: deixe o mundo ser, que eu vou estar.

9 comentários:

Xadai disse...

Let it roll, baby roll
Let it roll, all night long

Let it flow, all life long

Isadora disse...

Tila, quando eu crescer, ainda quero ser como voce. :)

Jack disse...

!

Louise disse...

É um tema bem relativo esse que você abordou. Envolve liberdade de expressão e respeito. Acredito que as pessoas estão em patamares diferentes de evolução, por isso é comum discordar e achar certas idéias absurdas. O que não podemos fazer é desrespeitar a pessoa e essa é a parte mais difícil, porque irrita. Eu gosto de fazer as pessoas sorrirem, porém gosto mais ainda de fazê-las pensar com algo que eu disse (ou que acredito). Uma felicidade incomensurável toma posse de mim, mas não quer dizer necessariamente que a pessoa tenha de concordar comigo. É hábito do ser humano expor suas idéias, muitas vezes sem fundamento. Deveriam pensar antes de dizer algo. Exercício obrigatório.

Excalibur disse...

não desmerecendo todo o texto, que aliás, quando acordo com meu lado 80, apoio totalmente, mas...

sabe, a última frase, foi digníssima.

denovoaquimeubomjose disse...

deixe o mundo ser, que eu vou estar.

Excelentes suas percepções! Incrível como você consegue falar, pois bem, continue falando!

Beijo

niShi disse...

De fato, as vezes ficamos convictos de que precisamos que alguém perceba o que conseguimos decifrar em algum momento.

Quem liga afinal? Enquanto existem loucos querendo que todos parem de comer carne, outros loucos descobrem meios mais suculentos para saborear um bom bife. Enquanto loucos querem conservar a terra para o futuro, muitos outros loucos estão no auge da sua carreira e lógico, não andarão p/ trás e gastarão o que tiver no seu alcance, ou seja, tudo. "Ora, tudo acaba algum dia. Mesmo pq se fossemos continuar com o sustendo do planeta, teríamos que ter +4 iguais a estes para suprir a todos".

O ser humano É a peste que visavam. Não tem predador p/ equilibrar a cadeia alimentar. São burros, frágeis, criam coisas que estão além do próprio limite. Para exibir-se. Sabemos o que é necessário para sobrevivermos. Sabemos o que devemos fazer para nos sentir frio, calor, fome. Sabemos o NECESSÁRIO. E acabamos fazendo o desnecessário.

Criam materiais bio degradáveis pq estão na moda... Se o material fosse da cor de bosta seca ninguém dava corda. E olhe lá..

São os únicos.. ÚNICOS.. Que causam dano à natureza. Não é o esgoto, não são os produtos quimicos.

Pq estamos fora de equilíbrio.
E não há nada que possa mudar isso. Nada a não ser nós mesmos.
Pestes são inrevessiveis.
E o que fazemos quando damos cara com uma? Deixamos ela mesma se destruir.

SONHO ESTRANHO disse...

Acredito que somos parte da natureza. Acredito que a natureza é perfeita e plenamente discernida e equilibrada. Sendo nós, humanos, parte dela, somos também equilibrados (no sentido mais amplo e "mistico" da palavra): o que temos de ruim, temos de bom também. No fim das contas: -1 +1 = 0.

Reinaldo Glioche disse...

Ótimo texto. E de final impactante!